BUD BERGSMA
1. Poderia apresentar-se brevemente?
Chamo-me Reit Albertus Bergsma, mas toda a gente me chama Bud. Nasci em Alkmaar, nos Paises Baixos, a 23 de novembro de 1941. Antes de me reformar, trabalhei como gestor de uma empresa de aquecimento central em Utrecht
2. Em que região vive e a columbicultura é aí uma atividade conhecida e valorizada pela sociedade?
Nos últimos 25 anos, a minha mulher e eu vivemos em Bunnik, uma aldeia perto da cidade de Utrecht. Lamento dizer que a criação de pombos ornamentais e pombos-correio não é uma atividade popular nem muito respeitada na zona onde vivo.
3. A paixão pelos pombos vem de família ou como nasceu o seu interesse pela criação de pombos de raça?A criação de pombos não é uma tradição na minha família, mas o meu pai costumava levar-me a mim e ao meu irmão frequentemente a exposições de pombos ou de aves em geral, quando éramos novos. Ao observar todas essas aves diferentes, fui ficando cada vez mais interessado em pombos ornamentais. No meu 8.º aniversário, recebi o meu primeiro casal de pombos Roller. Desde então, sempre tive pombos. Ao longo dos anos, tive várias raças nos meus pombais, mas acabei por ficar com os pombos gigantes Runt/Romanos e pombos com barbela, como os «Scandaroons», os «Carriers» e os «Barbs».
4. Que raças cria atualmente e por que razão aprecia especialmente essa ou essas raças? Qual a sua experiência com as raças portuguesas?Durante os anos 80, colecionei muitos livros antigos sobre pombos ornamentais e, nesses livros, encontrei algumas fotografias de Mariolas e Flamencas. Fiquei muito interessado e tentei encontrar estas duas raças. Após anos de procura e inquéritos, encontrei algumas Mariolas em França, junto do português Manuel Fenho, que se tornou meu amigo até ao seu falecimento. As Flamencas, no entanto, não se encontravam em lado nenhum e, sempre que perguntava, diziam-me que estavam extintas. E as pessoas que afirmavam ter Flamencas disponíveis acabavam por estar a oferecer Mariolas, que por vezes se pareciam um pouco com a Mariola, mas certamente não se pareciam com a Flamenca que eu conhecia das ilustrações antigas da literatura sobre pombos e pela qual eram pedidos preços absurdamente elevados. Por isso, decidi recriar a Flamenca por conta própria, utilizando Mariolas, «Carriers», «Barbs», Papos-de-vento espanhóis e Romanos. Após cerca de 20 anos de cruzamentos, consegui o meu objetivo, o que também é reconhecido por especialistas em Espanha e Portugal. Atualmente, ainda tenho as minhas próprias «Flamencas», «Mariolas» e também, novamente, quatro «Romanos/Runts». Por experiência, sei como fazer cruzamentos para tornar os meus «Flamencas» maiores. Adoro estes pombos pela sua aparência e pelo seu carácter tranquilo.
5. Quais foram os momentos ou os resultados que mais satisfação lhe deram enquanto criador? E qual foi a sua maior deceção?A minha maior satisfação como criador de pombos foi o reconhecimento por parte de outros criadores, especialistas ibéricos e juízes de que consegui recriar o «Flamenca». Mas também fiquei muito satisfeito por o Mariola português ter sido reconhecido para exposições na Holanda, depois de ter apresentado seis dos meus Mariolas numa exposição nacional e traduzido os standards em português e francês para holandês, com a ajuda de um amigo que vive em Portugal.
A minha maior desilusão na columbicultura foi quando percebi que os meus seis colegas criadores, com quem iniciei o projeto de criação de Mariolas e de recriação d0 Flamenca, desistiram um a um devido à falta de interesse e de paciência.
6. Para além dos pombos, tem outros animais ou outros passatempos?
Também fui e continuo a ser cantor e compositor, e tive o privilégio de muitas das minhas canções terem sido gravadas por diferentes artistas. Além disso, gosto de pintar animais e aves, especialmente pombos ornamentais. Na minha juventude, realizei 14 expedições com equipas de cães de trenó pelas regiões selvagens e nevadas do Alasca e do Território do Yukon, onde percorri, no total, mais de 14 000 km com cães de trenó. Estas aventuras deram origem ao meu CD «Sleddogs in the snow» e ao meu livro «1000 km num trenó puxado por cães pelo Alasca».
7. Toma medidas especiais para proteger ou promover a saúde dos seus pombos?Por precaução, vacino anualmente os meus pombos contra a paramixovirose. Antes da época de reprodução, submeto-os a um tratamento com vermífugo e a um tratamento contra a paratifose. Além disso, mantenho-me muito atento à ornitose, para poder administrar um tratamento medicamentoso imediatamente após a deteção.
8. Participa regularmente em exposições? Em caso afirmativo, em quais?Nos últimos 20 anos, já não participo em exposições de pombos. Devido ao facto de as raças Flamenca e Mariola serem pouco conhecidas na Holanda, a maioria dos juízes não faz ideia de como as julgar. E é inútil exibi-las para as promover, porque tanto as Mariola como as Flamenca não são populares na Holanda, uma vez que a sua criação requer conhecimento e experiência, mas, acima de tudo, paciência.
9. Como vê o futuro da columbicultura no seu país e, em particular, na região onde vive?
Infelizmente, o futuro da columbicultura na Holanda não parece promissor. Nas cidades com muitos novos empreendimentos habitacionais e edifícios altos, a criação de pombos e galinhas é frequentemente desencorajada ou proibida. Além disso, os habitantes das cidades costumam menosprezar os criadores de pombos. Embora, no passado, os pombos fossem frequentemente um símbolo de estatuto social para a classe mais abastada, atualmente são muitas vezes vistos como um passatempo para as pessoas comuns e os camponeses.
10. Que conselho daria aos jovens ou aos iniciantes na columbicultura para progredirem e evitarem desilusões?Se tivesse de dar conselhos aos jovens e aos principiantes, recomendaria que, antes de mais nada, decidissem cuidadosamente com que raça querem começar. E que se apercebessem de que se trata de animais vivos que exigem cuidados e atenção diários, boas condições de alojamento e higiene. Por fim, encorajá-los-ia a não desistirem quando as coisas não correrem bem durante algum tempo. E, se necessário, que pedissem conselhos a um criador experiente.








